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Alemanha diz sim à Grécia

28/02/2012
Merkel obtém vitória no Parlamento, apesar de dissidências, mas S&P declara governo grego em calote seletivo.

A chanceler alemã, Angela Merkel, obteve ontem uma vitória no Parlamento, que aprovou o novo pacote de ajuda à Grécia, depois de alertar sobre os riscos incalculáveis de uma saída do país meridional da zona do euro. Apesar de ter enfrentado dissidências em sua própria coalizão e uma forte campanha na mídia - o jornal "Bild" estampou em sua primeira página a palavra "Pare" -, Merkel conseguiu que os parlamentares da Câmara Baixa, o Bundestag, aprovassem o socorro de C 130 bilhões à Grécia por 496 votos a favor e 90 contra. Houve cinco abstenções.

Mas isso não impediu que a agência de classificação de risco Standard & Poor"s (S&P) declarasse a Grécia em calote seletivo.

- Acho que esses riscos são incalculáveis e, consequentemente, indefensáveis - disse Merkel aos parlamentares, ressaltando os perigos, para a União Europeia (UE), de a Grécia sair do euro. - Como chanceler, preciso assumir riscos, mas não posso embarcar em aventuras.

Meu juramento proíbe isso.

Apesar de a votação representar uma vitória para a chanceler, 17 parlamentares de sua coalizão votaram contra o pacote. Além disso, no fim de semana o ministro do Interior, Hans-Peter Friedrich, afirmou à revista "Der Spiegel" que a única chance de recuperação para a economia grega era o país sair do euro.

- As chances de a Grécia se regenerar e tornar-se competitiva são certamente maiores fora da união monetária - disse Friedrich, ressaltando, no entanto, que é contra expulsar o país. - Não estou falando de expulsar a Grécia, e sim de dar incentivos para uma saída da qual eles necessitam.

A reação de Merkel foi rápida. Seu porta-voz, Steffen Seibert, disse que a chanceler não compartilha dessa opinião e defende que a prioridade, agora, é estabilizar a Grécia. No Parlamento, Merkel admitiu, no entanto, que um novo socorro não garante que todos os problemas da Grécia serão resolvidos: - Não há 100% de garantia de que o segundo pacote de resgate terá sucesso - reconheceu a chanceler.

O "Bild" ainda divulgou no domingo uma pesquisa segundo a qual 62% dos alemães queriam que o Parlamento votasse contra um novo socorro à Grécia. Apenas 33% queriam a aprovação. Em editorial, o "Bild" afirmou que a Europa está "jogando dinheiro em um poço sem fundo".

Amanhã, Holanda e Finlândia votam l

Amanhã, será a vez de os parlamentos de Holanda e Finlândia votarem um novo socorro à Grécia.

Ambos os países têm-se mostrado tão ou mais céticos que a Alemanha quanto à eficácia de dar mais dinheiro aos gregos.

Se o novo pacote de C 130 bilhões for aprovado, os recursos destinados à Grécia chegarão a C 240 bilhões.

Em maio de 2010, a UE e o Fundo Monetário Internacional aprovaram uma ajuda de C 110 bilhões, que no ano seguinte mostrou-se insuficiente.

Do pacote original, já foram liberadas seis parcelas, no total de C 73 bilhões, sendo C 52,9 bilhões da UE e C 20,1 bilhões do FMI.

Além disso, espera-se que a troca da dívida em mãos dos credores privados - que concordaram com uma redução de 53,5% do valor nominal dos papéis que detêm - traga um alívio adicional de C 107 bilhões para a Grécia. A oferta formal foi feita na semana passada, e o governo grego espera que a operação seja concluída entre 8 e 12 de março.

E foi exatamente essa troca da dívida com os credores privados que levou a S&P a decretar oficialmente, no início da noite de ontem, a Grécia como o primeiro país da zona do euro em moratória. A S&P reduziu o rating do país de "CC" (risco de calote iminente) para "SD" (selective default, ou calote seletivo).

A decisão já era esperada: a agência avisara no início deste mês que faria isso se a Grécia incluísse na proposta de troca uma cláusula obrigando os credores a aceitarem a oferta se uma maioria preestabelecida aceitá-la. A S&P considera isso uma troca forçada.

A agência afirmou ainda, segundo o "Wall Street Journal", que, se não conseguir um número suficiente de adesões de credores, o calote da Grécia é iminente. A questão agora é se as demais agências de classificação, como Fitch e Moody"s, seguirão a decisão da S&P.

Analistas, no entanto, acham que a reação do mercado não será forte.

- Todos sabiam que haveria algum tipo de swap (troca) - disse à agência de notícias Bloomberg News Ira Jersey, estrategista de juros do Credit Suisse. - Acredito que não vão considerar isso importante.

O Ministério de Finanças grego divulgou um comunicado comentando a decisão da S&P. Segundo a nota, a decisão "já havia sido anunciada e todas as suas consequências foram antecipadas, planejadas e resolvidas" pelo Eurogrupo, que reúne os ministros de Finanças da zona do euro. O ministério disse ainda que o rebaixamento "não afetará o setor bancário" do país e que a nota deve ser revista para cima assim que a troca de dívida acabar.

Ampliação do fundo de resgate é adiada

No Parlamento, Merkel disse ainda que não há necessidade, no momento, de discutir o aumento do poder de fogo dos mecanismos de resgate da UE. O assunto seria discutido pelos líderes europeus em uma reunião nos dias 1, e 2 de março, mas o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, anunciou ontem que o tema será analisado mais tarde, ainda este mês.

Enquanto isso, a S&P reduziu para negativa a perspectiva do rating do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef), de C 440 bilhões, criado para socorrer países em dificuldade.

A S&P disse que isso reflete a redução, em janeiro, das notas de França e Áustria. E alertou que pode haver um rebaixamento do Feef se os ratings de França, Alemanha, Áustria, Finlândia, Holanda e Luxemburgo ficarem abaixo de "AA+".

Para Thomas Straubhaar, presidente do instituto econômico alemão HWWI, os parlamentares não tinham outra escolha.

É um valor elevado, mas qualquer outra opção para salvar a Grécia acabaria sendo ainda mais cara - disse ele à televisão alemã. (Com Bloomberg News e agências internacionais)

Fonte: O Globo


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