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BNDES quer diversificar carteiras com parceria árabe

05/10/2017
Presidente do banco, Paulo Rabello de Castro, fez palestra na Câmara Árabe nesta quarta-feira e falou de uma nova fase do Brasil, na qual a instituição financeira deve investir em novos segmentos com fundos árabes.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende abrir novas carteiras de investimentos em diferentes segmentos e quer ter a parceria de investidores árabes para tal. A intenção foi manifestada nesta quarta-feira (04) pelo presidente da instituição financeira, Paulo Rabello de Castro, em palestra realizada no Auditório Walid Yazigi, na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, na capital paulista.

A palestra de Castro foi o pontapé inicial de uma parceria da Câmara Árabe com o BNDES para um trabalho conjunto pelo maior fluxo de comércio e investimentos entre Brasil e países árabes. O presidente do banco falou sobre diversificação de investimentos via BNDESPar, sua subsidiária com participação em empresas, e disse que não faz sentido o banco ficar "sentado" em Petrobras, Vale, JBS e outras. "Queremos convidar os investidores de países árabes a estarem conosco nestes (novos) investimentos", afirmou Castro.

Ele disse que a equipe técnica do banco é muito boa e que o BNDES tem histórico de bons investimentos. "O BNDES é altamente lucrativo na sua seleção de portfólio, é o melhor cartão de apresentação para os investidores árabes, não precisa ficar fazendo 'pit stop' em outros lugares, vamos juntos, vamos com a tecnicalidade do próprio banco", disse.

Segundo o presidente do BNDES, mesmo na JBS, empresa de carnes cujos líderes estão envolvidos em denúncias de corrupção, o banco não teve perdas. "Não perdemos nada e vamos ganhar ainda bastante, assim que a governança lá melhorar e se modernizar", afirmou. Nesses possíveis investimentos em parceria com árabes Castro quer também o setor financeiro privado participando, intermediando ou distribuindo para que outros participem.

Mesmo elogiando as ações do governo do presidente Michel Temer, Castro falou que o Brasil precisa de um processo reconstrutivo e deve aderir a uma nova geopolítica, de produção, produtividade, comércio e paz. Segundo ele, nessa nova fase se insere a relação com os países árabes e o papel do BNDES. "Os países árabes, com todo o seu potencial, com toda a sua centralidade na geopolítica mundial, serão parceiros privilegiados neste processo", disse ele.

Ele disse que alguns países, como os árabes, têm uma vertente de encontro diferenciada com o Brasil em função da miscigenação brasileira, da qual eles fazem parte. "Nós estamos aqui hoje para perceber isso, para capturar essa proximidade e fazê-la operacional", disse Castro.

O presidente do BNDES apresentou os dados de investimentos do governo central, que neste ano não devem chegar a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), menos de R$ 20 bilhões, e lembrou que esse valor já foi de R$ 100 bilhões ou mais. "Neste ano estamos no fundo do poço", disse, lembrando que o governo está imerso em uma crise fiscal. Ele vê nisso, porém, uma oportunidade de crescimento porque acredita que no atual estágio não há mais para onde cair.

Castro acha que os países árabes podem se inserir nesse processo de recuperação do Brasil. "Nós precisamos desses recursos, dos povos árabes, que são eminentes poupadores", afirmou o presidente do BNDES. Castro falou que o Brasil pode oferecer segurança jurídica e política de que esses recursos serão respeitados. "Mas eles têm que ser respeitados fundamentalmente e principalmente através de uma coisa simples: rentabilidade", disse.

O presidente do banco se mostrou interessado em atrair capital árabe para a infraestrutura do "novo Brasil", que segundo ele, se desenha num futuro próximo. Ele falou ainda que o País gostaria de aumentar as exportações de manufaturados e de serviços para o mercado árabe, mas também apresentou a disposição de que haja uma contrapartida, com mais compra brasileira de petróleo e fertilizantes e também com o incentivo ao turismo no mundo árabe. "Botar os brasileiros, que haverão de prosperar, a descobrir as rotas turísticas de países árabes, que têm muita coisa para mostrar, botar a turma para gastar um pedaço daquilo que nós amealhamos com nossas exportações", afirmou Castro.

Ele afirmou que o BNDES vem trabalhando para dar previsibilidade aos investidores e que os parlamentares do País precisam ser chamados a priorizar o investimento. Segundo ele, o investimento deveria ser a única rubrica obrigatória no Brasil. "Isso foi esquecido na PEC dos gastos", falou. Castro comparou a falta de previsibilidade de crescimento do País a uma viagem sem destino. "Temos que dizer no ano que vem, em março, quanto que o País pretende crescer na quadra entre 2019 e 2022", disse, referindo-se ao mês em que deverá ocorrer um Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, em São Paulo, com organização da Câmara Árabe.

O presidente do BNDES destacou que a união do Brasil com os árabes é de mil anos. "Desde que os mouros estiveram lá em Portugal, desde então estamos juntos", disse Castro, fazendo depois uma espécie de poesia com o tema: "Estamos juntos na nossa língua, nos nossos costumes, não temos como estar mais juntos porque estamos aí embolados como sempre estivemos, então é mais uma questão de reconhecer que está no nosso DNA tudo isso que nós queremos agora resgatar de uma forma mais ostensiva", afirmou.

Trio maravilha

Castro falou na palestra sobre outros temas, como a taxa de juros brasileira, que chamou de "pornográfica". "O juro alto é a instalação da pornografia econômica no Brasil", disse. Ele também abordou a situação da indústria no País, que está "malzona", e citou como principal problema do Brasil a agenda macroeconômica: juros, tributos e Previdência. "Se botar num IVA só vai dar 40%", disse sobre os impostos pagos no País. "É o trio maravilha do nosso inferno astral macroeconômico", brincou Castro sobre juros, tributos e Previdência.

O presidente do BNDES apresentou um gráfico com as fontes de recursos do BNDES, mostrando que o Tesouro é o primeiro, seguido pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e PIS-Pasep. "O banco pertence aos trabalhadores, não à viúva". Material apresentado por Castro afirma que o banco quer mudar esse quadro, aumentando a participação das captações externas nos recursos do banco e diminuindo a do Tesouro.

Em coletiva de imprensa após a palestra, Castro comentou a possibilidade de um novo pagamento da dívida do BNDES com o Tesouro Nacional. Na semana passada, o banco antecipou R$ 33 bilhões ao Tesouro, mas a União vem pedindo que em 2018 sejam pagos mais R$ 130 bilhões. "Uma devolução para o ano 2018 é materialmente muito improvável, esse recurso não vai estar lá, ponto. A não ser que a gente raspasse o fundo do tacho, mas essa não seria uma administração prudente do caixa", afirmou.

Ainda na palestra, Castro fez uma leve crítica aos bancos sobre as liberações de recursos para empresas pelo BNDES Giro, linha de financiamento para capital de giro. "É bom que o sistema financeiro corra e pegue seus clientes antes que a gente comece a conhecer os clientes todos e dispense aqueles que não estão fazendo seu serviço", disse ele.

Ao público, Castro mencionou a Taxa de Longo Prazo (TLP) que vai substituir a atual Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) no banco e que será aplicada a uma parte dos seus financiamentos. Ele falou que a TLP está fazendo o banco sair da sua zona de conforto e ir à luta.

Quem conduziu a palestra e o debate que se seguiu foi o jornalista Cláudio Gradilone, editor de Finanças da Revista IstoÉ Dinheiro, que também passou por outros grandes veículos de comunicação do Brasil, como o antigo jornal Gazeta Mercantil e a Revista Exame. A abertura foi feita pelo presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun.

Fonte: wwww.anba.com.br

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