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Brasil oficial se cala mas extra-oficialmente rejeita proposta argentina de embargo à Venezuela

13/11/2017
A sugestão apresentada na semana passada pelo presidente da Argentina, Maurício Macri, para que o governo do presidente Donald Trump endureça drasticamente as sanções à Venezuela, impondo um embargo total a suas exportações de petróleo para os Estados Unidos não foi bem recebida pelo governo brasileiro, para quem medidas unilaterais como essa em nada contribuirão para solucionar a gravíssima crise econômica, política e social vivida pelo país caribenho.

O entendimento é de que uma medida dessa gravidade servirá apenas para penalizar ainda mais o povo venezuelano, que sofre a mais grave crise de abastecimento de produtos básicos, como alimentos e remédios, de sua história.

Em termos oficiais, o Itamaraty evitou comentar o embargo petrolífero proposto por Macri. E o fez até mesmo para evitar uma crise entre com a Casa Rosada num momento particularmente frutífero das relações entre os dois países. Por outro lado, posicionar-se oficial ou extra-oficialmente contra a proposta poderia contribuir para criar um clima desfavorável entre as duas locomotivas do Mercosul numa semana decisiva para as negociações do acordo de associação birregional entre o bloco do Cone Sul e a União Europeia, realizadas semana passada em Brasília.

Mas toda essa cautela não impediu que fontes da chancelaria se expressassem de forma contrária à ideia apresentada pelo presidente argentino. Resguardando-se no anonimato, uma dessas fontes destacou que "nada leva a acreditar que a proposta venha a ser levada em consideração pelo governo americano.

As importações americanas de petróleo da venezuelano são de aproximadamente 800 mil barris por dia, cerca de 8% das importações totais de óleo cru do país no ano passado. Pode parecer pouco, mas substituir essas importações às pressas não é uma tarifa fácil e ainda poderia se refletir na alta dos preços dos combustíveis no mercado americano e não haveria motivo para correr esse risco".

De acordo com a fonte, "a Venezuela não figura na relação das prioridades da política externa americana e por isso mesmo não é de se esperar que a Casa Branca vá além das sanções anunciadas na semana passada contra dez autoridades venezuelanas do primeiro escalão. As medidas contra membros importantes do governo de Maduro estão ligadas a abusos contra direitos humanos, fraudes e corrupção. Elas incluem também a proibição de que qualquer instituição americana empreste mais dinheiro à Venezuela."

Em seu raciocínio, o diplomata sublinha que "é mais evidente que as sanções impostas ao regime ditatorial da Venezuela não tiveram grandes efeitos práticos. Mas não há nenhuma garantia de que o embargo ao petróleo venha a produzir efeitos mais concretos. É bom lembrar que boa parte da produção da estatal venezuelana, a PDVSA, está comprometida com a China, país que investiu algumas dezenas de bilhões de dólares na Venezuela e não há motivo para pensar que Pequim possa vir a endossar um embargo petrolífero contra um país com o qual mantém uma parceria estratégica. O mesmo vale para a Rússia, que também tem interesses relevantes no país caribenho".

Para o diplomata, "bloqueios como esse proposto pelo presidente Macri não serão a solução para a aguda crise vivida pela Venezuela. Interromper as importações de petróleo pelos Estados Unidos não serão a saída para essa crise. Contribuir para que a Venezuela seja marginalizada da comunidade internacional não ajudará a resolver seus problemas. Há outros mecanismos e instituições multilaterais e regionais que podem contribuir de forma mais eficaz para ajudar a Venezuela a superar essa grave quadra de sua história".

O diplomata ressalta que "a Venezuela vive uma crise política na qual o governo Maduro e a oposição se digladiam na defesa de seus interesses e objetivos e também enfrenta uma não menos grave crise econômica, com uma hiperinflaçao que este ano poderá atingir estratosféricos 1.660%, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional. Por outro lado, em 2016, a pobreza chegou a 81,8% dos lares venezuelanos e pelo menos 55% das famílias vivem abaixo da linha de pobreza."

Na análise do diplomata, "a isso se somam as filas quilométricas em busca de emprego e de alimentos, num país onde é cada vez mais difícil encontrar alimentos produtos básicos, como arroz, leite, farinha, açúcar, azeite e até mesmo papel higiênico fora do mercado negro. A Venezuela sofre também com a grave escassez de medicamentos nas farmácias e de insumos necessários para seus hospitais. Pesquisa de 2016 mostrou que 76% dos hospitais públicos não dispunham de remédios básicos, incluindo antibióticos e analgésicos."

Por isso, esse e outros diplomatas do Itamaraty defendem mais diálogo entre os principais atores da região e também por parte de instituições como a Organização dos Estados Americanos, do Grupo de Lima e do próprio Mercosul para ajudar o país vizinho a superar suas aparentemente insuperáveis dificuldades.

De acordo com o diplomata, "após uma série de tentativas infrutíferas, o governo brasileiro apoiou a decisão unânime dos membros do Mercosul no sentido de suspender a Venezuela do bloco pelo descumprimento da cláusula democrática. Esse era um dos dispositivos do tratado que instituiu o Mercosul. Trata-se de algo distinto e distante de se recomendar a um país não integrante da comunidade sul-americana, no caso os Estados Unidos, a usarem a força de seu poderio econômico contra um país amigo e vizinho num momento crítico e singular de sua história"

Fonte: Comex do Brasil

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