Logo HVAC-R
Logo Abrava
Logo Apex Brasil
São Paulo, Brasil -
Português   |   Inglês   |   Espanhol
Página Inicial > Notícias

Brasil precisa superar entraves para se tornar potência no comércio exterior, diz analista

29/11/2018
Gargalo logístico, complexidade tributária, falta de uma agenda progressiva e dificuldade operacional são alguns dos principais entraves ao desenvolvimento do comércio exterior e a solução desses problemas é fundamental para que o país tenha uma participação no comércio internacional equivalente à condição de nona economia do planeta. Dados da Organização Mundial do Comercio (OMC), de 2017, revelam que naquele ano o Brasil caiu da 25ª. para a 29% posição entre os maiores exportadores do mundo. Entre os importadores, o País ocupa a 29ª. posição, uma a menos que em 2016, quando era o 28º.

A opinião é de Eduardo Vitor (Head de Product Management para Comércio Exterior da Thomson Reuters), para quem a Coreia do Sul, sexto colocado no ranking de maiores exportadores de 2017, é um exemplo que deveria ser seguido pelo Brasil para o País se transformar numa potência do comércio internacional.

Segundo ele, "alguns governantes brasileiros têm visitado a Coreia do Sul recentemente, e não é para menos. Em comércio exterior, eles são exemplo. A infraestrutura é moderníssima e a logística supereficiente. O modelo tributário é simplificado, possuem acordos comerciais com os grandes mercados, como os Estados Unidos e Europa, além de um modelo operacional aduaneiro eletrônico, integrado e automatizado há muito tempo. São bases que ajudaram o país a ser uma potência no comércio internacional (6º. no ranking de maiores exportadores de 2017), mesmo sendo um país pequeno. O Brasil, para medida de comparação, não figura entre os top 10".

Em sua análise dos entraves enfrentados pelos agentes do comércio exterior, Eduardo Vitor destaca que "em primeiro lugar me referiria ao gargalo logístico, que há décadas vem sendo discutido por nossa sociedade e governantes. Temos um custo logístico alto, devido aos gargalos no transporte rodoviário, pouco investimento em outros modais (como ferrovias), ineficiências e necessidades de modernização em operações aeroportuárias. Como segundo ponto destacaria a complexidade tributária, que recebe muitas críticas. Por vezes, seja por complexidade, regras ou falta de capacitação, nos fazem exportar tributos, ou inibem a importação de tecnologia, máquinas ou equipamentos, que poderiam nos fazer mais competitivos".

Outros dois obstáculos relevantes a impedir uma presença mais marcante do Brasil nas trocas comerciais internacionais são, na opinião do analista da Thomson Reuters, "a falta de uma agenda mais agressiva para a criação de acordos comerciais. Essa carência tem dificultado, nas últimas décadas, o acesso dos nossos produtos em grandes mercados, trazendo um obstáculo comercial/competitivo adicional perante outros países. A isso se soma a dificuldade operacional do Brasil. Não e incomum em conversas com executivos internacionais vir a tona que a burocracia operacional com diversos sistemas -e muitos sem integração entre si-, diferentes órgãos governamentais a serem acessados e múltiplos documentos, também criam uma barreira adicional para importar e exportar. São problemas conhecidos e, muitos deles, com agenda positiva para serem trabalhados".

Para Eduardo Vitor, "esses quatro desafios para o comércio exterior brasileiro precisam ser atacados simultaneamente . Alguns potos requerem investimentos e tempo, como o problema logístico. Outros demandam capacidade de negociação, visão estratégica e vontade política, como novos acordos comerciais. Eles são fundamentais e parecem estar entre as prioridades para o novo governo prestes a assumir o País".

O especialista da Thomson Reuters acredita que a simplificação e/ou racionalização tributária pró-comércio exterior parece ser a solução mais próxima de se tornar realidade: "muitas ferramentas já estão disponíveis, como os regimes aduaneiros especiais de incentivo à exportação, como o RECOF e RECOF-SPED e o recém divulgado REPETRO-SPED. São regimes tributários já disponíveis que visam reduzir a carga tributária ou o fluxo de caixa para empresas com operações de importação para futura exportação".

Outros regimes disponíveis são apontados por Eduardo Vitor com o argumento de que todos eles oferecem controle eletrônico por parte do governo: "os sistemas e ferramentas de automação, como os oferecidos pela síte ONESOURCE Global Trade da Thomson Reuters, facilitam a obtenção dos benefícios em compliance frente à regulamentação vigente. A utilização dessas ferramentas na cadeia de fornecedores pode facilitar a desoneração do produto exportado de impostos e proporcionar uma maior competitividade do produto brasileiro".

Maior eficiência operacional

Da mesma forma, Eduardo Victor considera bastante factível em curto e médio prazos a eficiência operacional nos processos aduaneiros e logísticos. Em seu entendimento, "várias reformas e iniciativas que se iniciaram nos últimos anos, até pelo fato de o Brasil ser um dos signatários do Acordo de Facilitação de Comércio, que prevê compromisso nesse sentido. Itens como o Portal Único de Comércio Exterior, a nova Declaração de Exportação (a DU-E, juntamente com a revisão de todo o processo) e a nova Declaração de Importação (DU-IMP - projeto em andamento), são iniciativas recentes do governo".

Ele ressalta que "a Thomson Reuters, juntamente com operadores de importação, de exportação e de associações, como a Procomex, vêm buscando otimizar o processo de ponta-a-ponta, integrando soluções corporativas com sistemas governamentais, automatizando cálculos e documentações e oferecendo mais informações para tomada de decisões. Algo que deve ser continuado e aprimorado em 2019 e nos próximos anos, de forma a colocar o processo brasileiro na vanguarda".

Onda positiva de confiança

A realização de uma série de reformas é igualmente considerada vital por Eduardo Vitor para aprimorar o comércio exterior brasileiro. Segundo ele, "o primeiro ponto é a abertura do comércio, de forma estratégica e bem negociada, por meio de acordos comerciais (FTA - Free Trade Agreements), buscando abrir mercados e inserir o Brasil nas principais rotas da cadeia de valor. Outro ponto importantíssimo é uma nova política de desenvolvimento industrial que possa dar mais competitividade ao produto brasileiro, agregando mais tecnologia. Isso passa por investimentos em pesquisa e desenvolvimento, intercâmbio de conhecimento e até maiores incentivos para a compra de ativos. Outra ação é a busca pela redução do Custo Brasil, racionalizando a questão tributária e otimizando processos de negócios".

Após destacar que os volumes de comércio exterior brasileiro estão "claramente evoluindo", graças à recuperação econômica, às safras recordes de 2017 e aos dados também positivos de 2018, em 2019 a expectativa é de que o País possa entrar em um ciclo de crescimento, ainda que no início seja pequeno, mas que poderá ser acelerado "caso os desafios e problemas para o desenvolvimento do comércio exterior sejam atacados com prioridade, porque investimentos para o crescimento têm muito a ver com as expectativas como um todo".

Na avaliação do analista, "decisões e medidas assertivas no início do novo governo podem gerar uma onda positiva e de confiança. Algumas medidas, como prioridade para novos acordos comerciais (quem sabe o tão sonhado acordo Mercosul-União Europeia), ações favoráveis à infraestrutura logística ou ao chamado Custo Brasil e a continuidade de programas de simplificação e modernização aduaneira são um empurrão em nosso crescimento do comércio exterior. E, quem sabe, fazer o Brasil subir consideravelmente no ranking dos maiores operadores mundiais de comércio exterior. Como a 9ª. economia do mundo não podemos nos contentar em estar na 26ª. posição entre os maiores exportadores".

Fonte: Comex do Brasil

Programa Abrava Exporta
HVAC-R Brasil

Av. Rio Branco, 1492
CEP: 01206-001 | São Paulo − SP
Tel: 55 11 3361.7266 R. 120
Todos os direitos reservados®
www.abravaexporta.com.br

ContatoYoutubeContato