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Déficit externo de US$ 4,5 bi em julho é o pior em 63 anos

24/08/2010
O déficit em conta corrente de US$ 4,499 bilhões, registrado em julho deste ano, é o pior para o mês desde o início da série histórica do Banco Central (BC), em 1947, de acordo com dados divulgados ontem. Com relação ao acumulado em 12 meses, as contas externas apresentam déficit de US$ 43,8 bilhões (2,24% do PIB). Especialistas acreditam que o cenário deve piorar no decorrer do ano. No entanto, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central Altamir Lopes informou que prevê, para agosto, um déficit menor em conta corrente, de US$ 2,5 bilhões.

Frederico Araújo Turolla, professor da ESPM e sócio da Pezco Consultoria, explica que a alta carga tributária e o câmbio são responsáveis pela deterioração da conta corrente. "A carga tributária prejudica a competitividade dos produtos brasileiros, enquanto o câmbio depreciado impossibilita contrato de exportação", justifica. Ele projeta déficit nas contas externas em US$ 50 bilhões neste ano.

Já Altamir disse não enxergar risco de uma crise futura no balanço de pagamentos por conta do aumento do déficit em conta corrente - o balanço de pagamentos registrou superávit de US$ 1,8 bilhão em julho. Segundo ele, o fato de o Investimento Estrangeiro Direto (IED) não cobrir todo o déficit na conta corrente, o que tem sido feito com ajuda dos empréstimos externos e dos investimentos em ações e renda fixa, não é um problema, porque os empréstimos tomados são de prazo mais longo.

Altamir destacou, ainda, que o IED deve apresentar aceleração, motivada pela exploração do pré-sal e por conta da Copa do Mundo e da Olimpíada do Rio de Janeiro.

O IED somou em julho US$ 2,643 bilhões, segundo dados do BC. O ingresso desse investimento no mês passado foi mais que o dobro do registrado em julho de 2009, quando ficou em US$ 1,287 bilhão. Para Turolla, o resultado não mostra grande recuperação. "Acredito que é mais uma questão pontual, como a melhora do ambiente externo [Europa]. Ao notar o acumulado em 12 meses, até o mês passado, a entrada de IED não é tão expressiva [US$ 26,697 bilhões, ou 1,37% do PIB]."

Segundo análise dos economistas do Iedi, a divulgação do BC traz "informações negativas e positivas". Do lado negativo, o instituto destaca, por meio de nota, o novo recorde do déficit nas transações correntes. "A alta dos gastos com serviços, ambos associados aos mesmos determinantes [o patamar apreciado do real e a evolução favorável da renda da população], influenciaram no resultado negativo".

Do lado positivo, para eles, desponta a recuperação dos fluxos de IED. "Essa recuperação decorreu, de um lado, do aumento dos fluxos em participação no capital e, de outro lado, do melhor desempenho da modalidade empréstimo intercompanhia. Ou seja, enquanto este último fator de expulsão de recursos do país [ao que tudo indica associado à situação frágil de várias matrizes] se estacou em julho, os fatores de atração, como mercado interno ou fontes de recursos naturais, se fizeram novamente presentes", concluíram.

Turismo

A autoridade monetária informou também que a conta de serviços apresentou déficit de US$ 2,7 bilhões no mês, 85,8% superior ao registrado em julho de 2009. Neste resultado, o saldo negativo registrado nas viagens internacionais no mês (US$ 1,098 bilhão), segundo Altamir Lopes, teve a maior participação relativa na piora dos números. A conta desse turismo também representou o maior saldo negativo para todos os meses desde o início da série histórica do BC.

O professor da ESPM entende que a liberalização dos preços das passagens pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) contribuiu para o aumento do turismo de brasileiros no exterior. "Contudo, o câmbio depreciado é o que mais colabora para a ocorrência dessas viagens", destaca.

Lucros e dividendos

As remessas de lucros e dividendos somaram em julho US$ 1,802 bilhão, contra US$ 1,724 bilhão observados no mesmo mês do ano passado. No acumulado de janeiro a julho deste ano, as remessas registraram US$ 16,769 bilhões, alta de 33,27% ao verificado em igual período de 2009.

A taxa de rolagem dos empréstimos externos de médio e longo prazos em julho ficou em 255%, segundo o BC, ante o registro de 24% no mesmo mês do ano passado. De janeiro a julho, a taxa de rolagem foi de 225%, contra 66% em igual período de 2009.

Reserva e dívida

As reservas internacionais somaram US$ 257,3 bilhões em julho, US$ 4,2 bilhões superiores em relação ao estoque do mês anterior.

A dívida externa total estimada para julho somou US$ 235 bilhões, com elevação de US$ 10,2 bilhões em relação à posição estimada para junho. No mesmo período, a dívida de longo prazo totalizou US$ 185,7 bilhões, com aumento de US$ 2,7 bilhões, e a de curto prazo atingiu US$ 49,6 bilhões, com ampliação de US$ 7,5 bilhões.

O déficit em conta corrente de US$ 4,499 bilhões, registrado em julho deste ano, é o pior para o mês desde o início da série histórica do Banco Central (BC), em 1947, de acordo com dados divulgados ontem.

Fonte: DCI

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